Assentamento Egídio Brunetto de Rio Branco do Ivaí divulga nota de esclarecimento sobre ocorrência policial

Uma ocorrência de lesão corporal no contexto de violência doméstica e familiar foi registrada na noite de segunda-feira, 22 de dezembro de 2025, por volta de 19h50, na Comunidade do Assentamento Egídio Brunetto, na área rural de Rio Branco do Ivaí. O caso ganhou novos desdobramentos após a divulgação de uma nota oficial da coordenação e direção do assentamento.

A Polícia Militar, por meio da 6ª Companhia Independente de Polícia Militar de Ivaiporã, foi acionada pelo Aplicativo 190 após a informação de que uma mulher havia sido agredida pelo próprio filho e estava recebendo atendimento no hospital municipal.

No hospital, a vítima relatou que estava ingerindo bebida alcoólica com o filho e um amigo dele. Em determinado momento, o filho quis sair de carro acompanhado do amigo e do próprio filho, um menino de 11 anos. A mãe afirmou que foi contra a saída, já que o autor estaria embriagado. Diante da negativa, segundo o relato, o filho passou a desferir socos na cabeça da mãe, puxou seus cabelos e a arrastou para fora da residência, causando lesões nos braços e em uma das pernas. Em meio à situação, a mulher contou que quebrou o para-brisa do carro do filho com um pedaço de madeira, o que teria motivado novas agressões.

Os soldados prenderam o suspeito, mas o trecho do relatório da PM, que gerou polêmica, foi este: “Perguntado se já teve agressões anteriores, disse que sim, por volta de quatro a cinco vezes. Então, questionada porque não acionou a polícia anteriormente, relatou que por conta de morar no assentamento, os organizadores não gostam que os assentados chamem a polícia lá”.

Nota de esclarecimento

Após a repercussão do caso, a coordenação e a direção do Assentamento Egídio Brunetto divulgaram uma nota pública de esclarecimento. No documento, a organização reafirma compromisso com a defesa da vida, da dignidade humana e o combate a todas as formas de violência, em especial a violência doméstica e familiar contra mulheres, princípios que, segundo a nota, são fundamentais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

A coordenação destaca que o assentamento possui regimento interno construído coletivamente, que repudia qualquer forma de violência e orienta a prevenção, o acolhimento às vítimas e o encaminhamento das situações aos órgãos competentes sempre que necessário. O texto também esclarece que o autor das agressões já havia sido anteriormente desligado da comunidade por problemas de convivência e que seu retorno ocorreu por decisão familiar, sem autorização da direção do assentamento.

A nota reforça que a comunidade organizada não compactua, não silencia e não acoberta atos de agressão, incentivando que as vítimas procurem os órgãos competentes para registrar denúncias. Por fim, a coordenação reafirma o compromisso com ações de formação, conscientização e cuidado coletivo, visando garantir que o assentamento seja um espaço seguro, justo e digno, especialmente para mulheres, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade.